Índice:
Muitas empresas enfrentam um limite físico em seus servidores e storages quando precisam adicionar mais discos. A quantidade de portas SAS/SATA nativas em uma controladora HBA ou RAID é finita, geralmente entre 4 e 16 conexões diretas. Esse fator impõe uma barreira para a expansão da capacidade em infraestruturas com alta demanda por armazenamento.
A simples adição de novas controladoras nem sempre resolve o problema, pois pode introduzir complexidade no gerenciamento e aumentar custos. Além disso, múltiplos HBAs podem gerar gargalos no barramento PCIe e dificultar a manutenção da topologia de armazenamento. A performance também pode ser afetada se a arquitetura não for bem planejada.
Assim, a necessidade por escalar o armazenamento sem comprometer a velocidade ou a estabilidade exige uma solução mais inteligente. Um componente específico surge para endereçar exatamente essa questão, conectando dezenas de discos a uma única porta da controladora principal.
O que é um SAS expander?
Um SAS expander é um dispositivo que funciona como um switch para discos Serial Attached SCSI, multiplicando a quantidade de unidades que uma controladora HBA ou RAID consegue gerenciar. Ele se conecta a uma ou mais portas SAS da controladora principal e oferece várias outras portas para conectar HDDs ou SSDs. Essa arquitetura permite escalar a capacidade do armazenamento massivamente.
Na prática, o expander recebe os comandos da controladora e os distribui para os discos conectados a ele. A comunicação é bidirecional, por isso os dados vindos dos discos também passam pelo componente antes de chegarem ao HBA. Essa intermediação é feita com baixíssima latência, quase como se os discos estivessem ligados diretamente na controladora.
Essa tecnologia é frequentemente encontrada em chassis de expansão JBOD (Just a Bunch of Disks) e em backplanes de servidores com muitas baias. Por exemplo, um servidor com 24 baias raramente possui uma controladora com 24 portas nativas. Em vez disso, ele usa um ou dois expanders para gerenciar todos os drives a partir de poucas conexões com a placa RAID.
Quando a expansão SAS se torna necessária
A expansão se torna indispensável quando o número de discos ultrapassa a contagem de portas disponíveis na controladora. Servidores de armazenamento, sistemas para backup e ambientes de virtualização frequentemente atingem esse limite. Em vez de adquirir um novo servidor, a expansão com um SAS expander é uma alternativa mais econômica.
Outro cenário comum envolve a consolidação de armazenamento. Várias empresas buscam centralizar seus dados em um único grande repositório para simplificar o gerenciamento e a proteção. Um storage com capacidade para 60, 90 ou até mais discos só é viável com o uso de múltiplos expanders em cascata.
Ambientes que exigem alta performance também se beneficiam. Um SAS expander moderno, como os que operam a 12 Gb/s ou 24 Gb/s, consegue sustentar a largura de banda necessária para dezenas de SSDs operarem simultaneamente sem gargalos. Isso é fundamental para bancos de dados e aplicações com uso intensivo em IOPS.
A arquitetura por trás da expansão
A tecnologia SAS utiliza um protocolo ponto a ponto, mas foi projetada com a expansão em mente. Cada dispositivo SAS possui um endereço único mundial (SAS Address), similar a um endereço MAC em redes Ethernet. Um SAS expander atua como um roteador, gerenciando o tráfego entre a controladora (iniciador) e os discos (alvos).
Existem dois tipos principais de expanders. O primeiro é o "edge expander", que simplesmente multiplica as portas e pode ser conectado a outro expander. O segundo é o "fan-out expander", que atua como um agregador central, conectando-se a múltiplos edge expanders e à controladora para criar topologias mais complexas e resilientes.
Essa estrutura permite a criação de "zonas", onde um grupo de discos pode ser isolado e dedicado a um iniciador específico. Essa funcionalidade é útil em ambientes com múltiplos servidores acessando um mesmo chassis de discos, pois garante que cada servidor veja apenas os LUNs atribuídos a ele.
Diferenças entre expander e controladora
É importante não confundir um SAS expander com uma controladora RAID ou HBA. A controladora é o cérebro da operação, pois processa os comandos de leitura e escrita, gerencia os arranjos RAID e se comunica com o sistema operacional. Sua função é executar a lógica do armazenamento.
O expander, por outro lado, não possui inteligência para processar comandos RAID ou gerenciar o sistema de arquivos. Sua única função é a comutação de sinais. Ele simplesmente encaminha o tráfego entre a controladora e os discos, sem interpretar o conteúdo das requisições. Pense nele como um hub ou switch em uma rede de computadores.
Portanto, um expander sempre depende de uma controladora para funcionar. Sem um HBA ou uma placa RAID, os discos conectados a um expander não seriam acessíveis pelo servidor. A performance final do sistema depende da qualidade de ambos os componentes, tanto da controladora quanto do expander.
Impacto no desempenho do sistema
Um receio comum é que um SAS expander possa introduzir latência e se tornar um gargalo de performance. Embora tecnicamente exista uma pequena latência adicional, em implementações com componentes de qualidade ela é ínfima, na casa dos nanossegundos. Para a maioria das cargas de trabalho, o impacto é imperceptível.
O principal fator que afeta o desempenho é a largura de banda da conexão entre a controladora e o expander. Por exemplo, uma única porta SAS de 12 Gb/s (aproximadamente 1.200 MB/s) será compartilhada entre todos os discos conectados. Se você conectar 24 HDDs, raramente haverá um gargalo. Porém, se conectar 24 SSDs NVMe de alta velocidade, a banda pode saturar.
Para contornar isso, muitas implementações usam "wide ports", que agregam múltiplas vias SAS. Uma conexão 4x wide port a 12 Gb/s oferece uma banda total de 48 Gb/s (cerca de 4.800 MB/s). Além disso, é possível usar caminhos redundantes com dois expanders para aumentar a resiliência e a largura de banda disponível.
Cuidados importantes na implementação
A compatibilidade é o primeiro ponto de atenção. É fundamental garantir que a controladora, o expander, o backplane e os cabos sejam compatíveis com a mesma versão do protocolo SAS (6 Gb/s, 12 Gb/s ou 24 Gb/s). Misturar componentes com velocidades diferentes geralmente resulta na operação do sistema inteiro na velocidade do componente mais lento.
A qualidade dos cabos também é um fator subestimado. Cabos SAS são mais complexos que cabos SATA e a qualidade da blindagem e dos conectores afeta diretamente a integridade do sinal, principalmente em comprimentos maiores. Usar cabos de baixa qualidade pode causar erros de comunicação e instabilidade nos discos.
Outro cuidado é com a refrigeração. Um SAS expander é um chip que processa um volume enorme de dados e, consequentemente, gera calor. Ele precisa de um fluxo de ar adequado para operar dentro da sua faixa de temperatura ideal. Chassis de expansão e servidores projetados para essa finalidade já incluem sistemas de ventilação dimensionados para isso.
Alternativas para expansão de armazenamento
Embora o SAS expander seja a solução padrão para escalar o armazenamento direto, existem outras abordagens. Uma delas é o uso de múltiplas controladoras HBA no mesmo servidor. Essa opção funciona, mas consome mais slots PCIe, aumenta o consumo de energia e pode complicar o gerenciamento dos discos no sistema operacional.
Outra alternativa é a expansão via rede, com tecnologias como iSCSI ou Fibre Channel. Nesse modelo, em vez de um chassis de discos (JBOD), você adiciona um storage de rede (SAN) e o conecta ao servidor. Essa abordagem oferece mais flexibilidade e escalabilidade, porém possui um custo inicial muito mais elevado e uma complexidade de configuração maior.
Para ambientes que precisam de escalabilidade extrema, a arquitetura scale-out, como a encontrada em sistemas de armazenamento distribuído (Ceph, GlusterFS), é outra possibilidade. Em vez de um único servidor massivo, você adiciona novos servidores (nós) ao cluster. Cada nó contribui com sua própria capacidade e poder de processamento, mas a implementação é bastante complexa.
A escolha certa para seu datacenter
A decisão por usar um SAS expander depende diretamente da sua necessidade por crescimento e da arquitetura atual. Para quem já possui um servidor ou storage com uma boa controladora RAID e precisa apenas de mais baias, um chassis de expansão JBOD com um expander integrado é a escolha mais direta e com melhor custo-benefício.
Essa abordagem preserva o investimento já feito na controladora e simplifica o gerenciamento, pois todos os discos aparecem como se estivessem conectados localmente. A performance, quando implementada corretamente com componentes de qualidade, é mais que suficiente para a imensa maioria das aplicações, desde servidores de arquivos até bancos de dados.
Se o seu datacenter enfrenta o desafio de conectar um grande volume de discos sem perder desempenho, a implementação de uma infraestrutura com SAS expanders é a resposta. Para garantir a estabilidade e a performance do sistema, nossa equipe de especialistas pode auxiliar com consultoria técnica e as melhores soluções em hardware.
Não perca mais tempo: fale AGORA com um especialista!
Tire suas dúvidas sobre storage em minutos e descubra como podemos ajudar você ainda hoje. Atendimento rápido e direto pelo WhatsApp.
QUERO FALAR NO WHATSAPP