Quando o storage frio reduz custos?

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Muitas empresas acumulam volumes gigantescos com dados que raramente são acessados. Essas informações, no entanto, continuam a ocupar espaço em sistemas de armazenamento caros e de alto desempenho.

A maior parte desses arquivos perde sua frequência de acesso com o tempo, mas ainda precisa ser mantida por questões legais ou para consultas históricas. Manter esses dados inativos em sistemas primários infla os custos com TI sem agregar valor operacional.

Como resultado, uma estratégia de armazenamento diferenciada se torna necessária para equilibrar a retenção com a otimização dos recursos. O uso de um storage frio surge como uma resposta direta a esse desafio.

O que é um storage frio e como ele funciona?

Um storage frio é um sistema de armazenamento projetado para guardar grandes volumes com dados acessados com pouca frequência a um custo mínimo. Sua arquitetura prioriza a capacidade e a economia em vez da velocidade de acesso. Geralmente, ele funciona com mídias mais lentas e baratas, como HDDs de alta capacidade ou até fitas magnéticas, que reduzem bastante o custo por terabyte.

A principal lógica por trás do seu uso é o tiering, ou a criação de camadas. Softwares ou políticas automatizadas identificam os dados inativos nos sistemas primários, que são mais rápidos e caros. Em seguida, esses arquivos são movidos para a camada fria, o que libera um espaço valioso no armazenamento principal para aplicações que exigem performance.

Alguns serviços em nuvem também oferecem essa camada de armazenamento, mas os tempos para recuperação podem levar vários minutos ou até horas. Por isso, a escolha do modelo ideal depende da necessidade do negócio.

Quais dados são ideais para o armazenamento frio?

Nem todo tipo de informação se qualifica para o armazenamento frio. Os candidatos ideais são arquivos que você raramente precisa acessar, mas que, por algum motivo, não pode apagar. Essas informações geralmente incluem backups com mais de 90 dias, projetos concluídos e registros financeiros que já passaram do seu período fiscal ativo.

Documentos médicos e legais também se encaixam perfeitamente nesse perfil, pois muitas regulamentações exigem a retenção por vários anos. Por outro lado, bancos de dados ativos, arquivos de máquinas virtuais e documentos colaborativos de uso diário devem sempre permanecer em um storage mais rápido. Mover esses arquivos para uma camada fria impactaria negativamente as operações.

Portanto, uma análise criteriosa sobre o ciclo de vida dos dados é fundamental antes de qualquer migração. Essa avaliação evita que informações críticas se tornem indisponíveis quando mais se precisa delas.

A economia real com o armazenamento para dados frios

A redução de custos é o principal motivo para a adoção dessa tecnologia e pode ser bastante expressiva. Armazenar um único terabyte em um sistema all-flash pode ser dezenas de vezes mais caro que em um sistema de armazenamento frio. A diferença no custo por gigabyte é o que justifica o investimento inicial na nova infraestrutura.

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Imagine uma empresa que mantém 50 terabytes com dados de projetos antigos em seu SAN principal. A migração desse volume para um NAS dedicado ao arquivamento pode liberar espaço para novas aplicações e, ao mesmo tempo, cortar os custos anuais com armazenamento em mais de 70%. Essa economia também se estende às despesas com energia e refrigeração no datacenter.

Além disso, a otimização do armazenamento primário melhora o desempenho geral do ambiente. Os sistemas mais rápidos passam a trabalhar com menos dados, o que acelera o acesso às informações que realmente importam para o dia a dia.

Hot, Warm e Cold Storage: Entendendo as diferenças

O mundo da TI classifica os dados em camadas conforme a frequência de acesso. O storage "hot" é a camada mais rápida e cara, destinada a dados usados constantemente. Ela exige alto IOPS e baixa latência, características que normalmente são encontradas em SSDs NVMe.

Já o storage "warm" representa uma camada intermediária. Ele armazena dados acessados com menor frequência e geralmente usa uma combinação de SSDs para cache e HDDs para capacidade. Seu objetivo é equilibrar a performance com o custo.

Por fim, o storage "cold" é o destino para os dados arquivados, onde o acesso é raro. A performance é baixa, mas a capacidade é imensa e o custo por gigabyte é imbatível. A escolha correta entre essas três camadas depende diretamente do valor e da urgência de cada tipo de informação para o negócio.

Riscos associados à recuperação dos dados

A principal desvantagem do armazenamento frio é o tempo para recuperação. Embora o custo seja baixo, o acesso aos arquivos não é imediato. Se uma auditoria ou uma demanda legal urgente exigir um documento do arquivo, a espera pela sua restauração pode levar horas, um atraso que pode ser inaceitável em alguns cenários.

Esse risco aumenta em soluções baseadas em nuvem, onde as taxas para recuperação acelerada podem ser altas. Frequentemente, o que se economiza no armazenamento é gasto na hora de retirar os dados da plataforma. Por isso, é fundamental ter uma política de classificação de dados muito clara.

Antes de mover qualquer arquivo, sua empresa precisa saber exatamente o que está sendo arquivado e quanto tempo o negócio pode esperar pela sua recuperação. Sem esse planejamento, a economia pode se transformar em um grande problema operacional.

Implementando uma política de tiering automatizado

Mover arquivos manualmente entre camadas de armazenamento é um processo ineficiente e muito suscetível a erros humanos. Felizmente, muitos sistemas de armazenamento modernos e softwares especializados oferecem o tiering automatizado para simplificar essa tarefa.

Essas ferramentas funcionam com base em políticas que você mesmo define. Por exemplo, é possível criar uma regra para "mover qualquer arquivo não acessado nos últimos 180 dias para o storage frio". O sistema, então, executa essa migração de forma transparente para os usuários e aplicações.

Uma boa implementação ainda mantém um atalho no sistema primário. Quando um usuário clica nesse link, o arquivo é recuperado automaticamente da camada fria. O processo funciona, mas o usuário final perceberá um atraso notável durante a abertura do arquivo.

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Soluções on-premises versus nuvem

Existem duas abordagens principais para implementar um armazenamento frio. A primeira é através da nuvem, com serviços como AWS Glacier ou Azure Archive, que operam em um modelo de pagamento por uso. Essa opção elimina a necessidade de gerenciar o hardware, mas pode gerar custos imprevisíveis.

Recuperações grandes ou frequentes em serviços de nuvem podem se tornar surpreendentemente caras. Por outro lado, uma solução on-premises, como um storage NAS de alta densidade, oferece custos muito mais previsíveis e tempos de recuperação mais rápidos em comparação com as camadas mais lentas da nuvem.

Além disso, um equipamento local confere controle total sobre a soberania dos dados. Para empresas com políticas rígidas de segurança ou que operam em setores regulados, manter os arquivos dentro de casa é quase sempre a melhor escolha.

A importância da durabilidade e integridade

Como os dados arquivados são armazenados por anos, ou até décadas, a integridade deles é uma prioridade absoluta. Uma solução de armazenamento frio precisa proteger os arquivos contra a degradação silenciosa dos dados, conhecida como "bit rot", e também contra falhas de hardware.

Tecnologias como arranjos RAID, erasure coding e verificações periódicas de consistência são essenciais para garantir a durabilidade. Alguns sistemas de arquivos avançados, como o Btrfs, incluem mecanismos de autocorreção que detectam e reparam a corrupção de dados automaticamente.

Nunca confunda armazenamento barato com armazenamento não confiável. Um bom sistema de arquivamento é construído para ter uma durabilidade extrema, muitas vezes superando a confiabilidade dos sistemas primários.

O papel do armazenamento frio em estratégias de backup

O storage frio é um excelente aliado para a estratégia de backup 3-2-1. Ele funciona perfeitamente como a camada de retenção a longo prazo ou como a cópia externa dos dados, que é um dos pilares dessa regra. Isso otimiza o custo total da sua política de proteção de dados.

Por exemplo, os backups diários podem permanecer em um NAS rápido por 30 dias para garantir recuperações ágeis em caso de incidentes recentes. Após esse período, as cópias mais antigas são movidas para um sistema de armazenamento frio para retenção anual ou por vários anos, atendendo a requisitos de conformidade.

Dessa forma, sua empresa consegue manter a capacidade de restauração rápida para problemas do dia a dia. Ao mesmo tempo, garante a conformidade com as políticas de retenção sem inflar os custos com a infraestrutura de backup.

Como escolher o sistema certo para arquivamento?

A escolha correta depende do seu volume de dados, dos requisitos para recuperação e do orçamento disponível. Para volumes menores, um storage NAS com HDDs SATA de alta capacidade pode ser mais que suficiente. Esses equipamentos oferecem um ótimo equilíbrio entre custo, capacidade e facilidade de gerenciamento.

Para arquivos muito grandes, como os gerados por empresas de mídia e entretenimento, uma biblioteca de fitas LTO ainda oferece o menor custo por terabyte. No entanto, sua complexidade operacional é maior e o tempo para recuperação é significativamente mais longo.

É fundamental avaliar o Custo Total de Propriedade (TCO) ao tomar uma decisão. Considere não apenas o preço de aquisição, mas também os custos com energia, manutenção e, principalmente, as possíveis taxas para recuperação de dados ao longo do tempo. O planejamento correto evita surpresas no futuro.

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Carla Mendes Kuerten

Carla Mendes Kuerten

Especialista em storages
"Com mais de 15 anos de experiência em sistemas de armazenamento e backup, Carla é uma entusiasta da tecnologia e aplica seu conhecimento para garantir que todos possam entender conceitos básicos sobre servidores e sistemas de armazenamento de todos os tamanhos. Sua paixão é conectar pessoas às melhores soluções do mercado, tornando a compra de storages uma experiência positiva e sem preocupações."

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