VSAN: como validar hardware e rede antes da implantação

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Muitas implementações com vSAN apresentam um desempenho abaixo do esperado. A causa frequente para essa falha é a falta de uma validação prévia do hardware e da rede.

Essa negligência resulta em instabilidade, gargalos e até interrupções nos serviços. Alguns ambientes virtuais se tornam inutilizáveis por problemas que poderiam ser evitados.

Assim, um processo criterioso de verificação antes da implantação não é apenas uma boa prática. Ele é o alicerce para uma infraestrutura hiperconvergente confiável e performática.

Como validar o hardware para uma implantação vSAN?

A validação do hardware para um ambiente vSAN começa com uma consulta rigorosa à VMware Compatibility Guide (VCG/HCL). Essa lista é a única fonte oficial que certifica quais servidores, controladoras, discos e placas de rede são compatíveis com a solução. Usar componentes que não estão listados ali é a principal causa para falhas inesperadas e perda de suporte técnico. Um hardware "semelhante" não é um hardware homologado e quase sempre introduz riscos.

Após a verificação na HCL, a análise se aprofunda nos componentes internos. As unidades SSD para a camada de cache, por exemplo, precisam ter alta durabilidade para suportar a carga intensa de escrita. Por outro lado, os discos para a camada de capacidade podem ser SSDs com foco em leitura ou até mesmo discos rígidos em configurações híbridas. A escolha errada em qualquer uma dessas camadas compromete todo o desempenho do cluster.

A controladora de armazenamento também exige atenção especial. Ela deve operar em modo HBA (Host Bus Adapter) ou pass-through. Essa configuração entrega o controle direto dos discos ao vSAN, uma condição fundamental para o software gerenciar os objetos de armazenamento. Qualquer configuração RAID ativa na controladora interfere nesse processo e invalida a arquitetura da solução.

A importância da VMware Compatibility Guide (HCL)

A VMware Compatibility Guide é muito mais que uma simples lista de componentes. Ela representa um contrato de estabilidade entre o hardware e o software. Cada item listado passou por centenas de testes exaustivos para garantir seu funcionamento correto com o vSAN. A lista ainda especifica as versões exatas de firmware e drivers que foram homologadas, um detalhe frequentemente ignorado.

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Ignorar essa diretriz quase sempre leva a problemas graves. Um exemplo comum é a tela roxa da morte (PSOD) em hosts ESXi, causada por um driver de controladora ou de rede incompatível. Nessas situações, a solução de problemas se torna extremamente complexa. Além disso, ao abrir um chamado junto à VMware, a primeira verificação será a conformidade do ambiente com a HCL. Se houver qualquer desvio, o suporte pode ser negado.

Validando os componentes de armazenamento

A escolha correta dos discos é um fator decisivo para o desempenho em um cluster vSAN. A camada de cache absorve todas as operações de escrita e por isso precisa de SSDs com alta taxa de DWPD (Drive Writes Per Day). Usar um SSD de baixo custo ou voltado para o consumidor nessa camada resulta em seu desgaste prematuro e na degradação da performance para todas as máquinas virtuais. Alguns SSDs de baixa qualidade podem falhar em poucos meses sob essa carga.

Para a camada de capacidade, a exigência é um pouco menor, especialmente em ambientes híbridos. Em configurações all-flash, SSDs com maior capacidade e otimizados para leitura são geralmente suficientes. Ainda assim, esses componentes também devem constar na HCL. Uma verificação cuidadosa evita que a empresa invista em milhares de terabytes em discos que não entregarão a performance necessária ou que falharão antes do tempo previsto.

O papel do controlador de armazenamento

Muitos administradores de sistemas acostumados com storages tradicionais tentam aplicar a mesma lógica ao vSAN. Eles configuram arranjos RAID na controladora por hábito. Porém, essa abordagem não funciona aqui. O vSAN é um sistema de armazenamento definido por software que precisa de acesso direto aos discos físicos para criar seus próprios objetos e aplicar suas políticas de proteção como RAID 1 ou RAID 5/6.

Por isso, a controladora deve estar configurada em modo HBA ou pass-through. Esse modo basicamente transforma a controladora em uma simples ponte entre a placa-mãe e os discos. Se a controladora não suportar esse modo de operação, ela é incompatível com o vSAN, mesmo que os servidores e os discos estejam na HCL. Essa é uma das falhas de planejamento mais comuns e custosas em projetos de hiperconvergência.

Requisitos essenciais para a rede vSAN

A rede é a espinha dorsal do vSAN. Toda a comunicação entre os nós do cluster, incluindo a escrita de dados, a ressincronização e as migrações, acontece por meio dela. Uma rede lenta ou mal configurada cria um gargalo imediato. O requisito mínimo para qualquer ambiente produtivo é uma rede de 10GbE dedicada para o tráfego vSAN. Para clusters all-flash ou com cargas de trabalho intensas, 25GbE ou mais é a recomendação.

Além da largura de banda, a baixa latência é fundamental. A comunicação entre os nós deve ser a mais rápida possível para que as operações de escrita sejam confirmadas sem atrasos. Uma latência alta, mesmo com muita largura de banda, degrada a performance de maneira significativa. Por essa razão, os switches usados na infraestrutura também precisam ser de boa qualidade e configurados corretamente para priorizar esse tráfego.

Testando a latência e a largura de banda

Antes de colocar qualquer máquina virtual em produção, é preciso testar a rede exaustivamente. Ferramentas simples como o `ping` com pacotes grandes podem dar uma primeira indicação sobre a latência entre os hosts ESXi. O ideal é que a latência fique consistentemente abaixo de 1 milissegundo. Valores acima disso já indicam algum problema no caminho da rede que precisa ser investigado.

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Para a largura de banda, a ferramenta `iperf` é o padrão da indústria. Com ela, é possível simular um tráfego intenso entre os VMkernel ports de cada nó do cluster e verificar se a taxa de transferência atinge o esperado para uma rede de 10GbE ou 25GbE. Vários testes devem ser executados em diferentes pares de nós para garantir que não existam gargalos em portas específicas do switch ou em cabos defeituosos.

Configurações de rede que evitam gargalos

Uma configuração que frequentemente melhora o desempenho da rede vSAN é a ativação dos Jumbo Frames. Ao aumentar o MTU (Maximum Transmission Unit) para 9000, a rede transporta pacotes maiores. Isso reduz a sobrecarga de processamento na CPU tanto nos hosts quanto nos switches, pois menos cabeçalhos de pacotes precisam ser processados para a mesma quantidade de dados. No entanto, essa configuração precisa ser aplicada de ponta a ponta, em todas as NICs, switches e portas virtuais envolvidas.

Outra prática importante é o uso de switches com buffer de porta adequado e sem excesso de subscrição (oversubscription). Switches de baixo custo frequentemente descartam pacotes durante picos de tráfego, forçando retransmissões e aumentando a latência. Para o vSAN, cada pacote perdido é um atraso que afeta diretamente o desempenho das aplicações. Por isso, investir em uma infraestrutura de rede sólida é tão importante quanto investir nos servidores.

Ferramentas úteis para a verificação

A VMware oferece várias ferramentas para auxiliar nesse processo de validação. O `vSAN Health Check`, integrado ao vCenter, é a primeira linha de defesa. Ele verifica automaticamente dezenas de itens, desde a compatibilidade de hardware e drivers até configurações de rede e cluster. Executar essa verificação e corrigir todos os alertas é um passo obrigatório antes e depois da implantação.

Para testes de performance mais avançados, a VMware disponibiliza o `HCIBench`. Essa ferramenta automatiza a implantação de máquinas virtuais de teste e simula diversas cargas de trabalho sintéticas. Com seus resultados, é possível ter uma visão clara sobre o IOPS, a taxa de transferência e a latência que o cluster consegue entregar. Esse teste ajuda a identificar gargalos de performance antes que eles afetem os usuários finais.

O suporte especializado na otimização da infraestrutura

Validar cada componente de hardware e cada configuração de rede para uma implantação vSAN é um trabalho minucioso. Para ambientes críticos, qualquer erro nesse processo pode resultar em prejuízos financeiros e operacionais. Por isso, contar com suporte especializado para planejar e executar essa validação é um investimento inteligente. Uma análise externa realizada por profissionais experientes identifica problemas que muitas vezes passam despercebidos pela equipe interna.

A implementação de um cluster vSAN estável e performático depende diretamente dessa atenção aos detalhes na fase de planejamento. Garantir que cada servidor, disco, controladora e porta de rede atenda aos requisitos da VMware não é burocracia, mas sim a base para o sucesso do projeto. Para empresas que buscam otimizar sua infraestrutura ou precisam de consultoria para projetos com alta disponibilidade, nossa equipe técnica está à disposição.

Oferecemos soluções personalizadas que asseguram a máxima eficiência e segurança para seu datacenter. Se você precisa de ajuda para validar seu ambiente ou planejar uma nova implantação, entre em contato conosco. A estabilidade da sua infraestrutura hiperconvergente é a resposta para suportar as cargas de trabalho mais exigentes.

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André Teixeira Ferrer

André Teixeira Ferrer

Especialista em servidores
"Com mais de duas décadas de experiência na área de TI, Ricardo Almeida é um veterano na arquitetura de redes computacionais corporativas. Como editor senior, ele usa seu conhecimento para garantir que cada artigo reflita nosso compromisso com o conhecimento e entregue ferramentas para que você tomar decisões embasadas e seguras."

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