O que medir antes de usar iSCSI

Índice:

Muitas empresas buscam o iSCSI para criar uma SAN com baixo custo. Essa tecnologia usa a rede Ethernet para transportar dados em bloco. Assim uma infraestrutura mal dimensionada compromete todo o desempenho do armazenamento.

O que é o protocolo iSCSI?

O protocolo iSCSI transporta comandos SCSI por redes TCP/IP. Ele permite que servidores acessem dispositivos para armazenamento em bloco como se fossem discos locais. Essa abordagem transforma uma rede Ethernet comum em uma Storage Area Network sem a necessidade por hardware especializado como o Fibre Channel.

Na prática um servidor iniciador envia requisições para um storage alvo. O storage então apresenta um volume lógico chamado LUN ao servidor. O sistema operacional do servidor enxerga esse LUN como um disco rígido local pronto para ser formatado e utilizado por qualquer aplicação.

Essa flexibilidade torna o iSCSI popular em ambientes com virtualização. Vários hosts podem acessar o mesmo storage compartilhado. Porém todo esse tráfego compete com outros serviços na mesma rede. Por isso a avaliação prévia é fundamental para o sucesso da implementação.

A importância da rede para o iSCSI

O desempenho com iSCSI depende diretamente da saúde da sua rede. Diferente do compartilhamento por arquivos o iSCSI é muito sensível a latência e a perda com pacotes. Qualquer atraso na entrega dos pacotes impacta diretamente as aplicações que acessam o armazenamento.

Imagine um banco com dados ou uma máquina virtual. Essas aplicações executam milhares com operações para leitura e escrita por segundo. Se a rede introduzir um atraso em cada operação o sistema inteiro fica lento. Por isso a infraestrutura precisa ser rápida e confiável.

Muitos administradores subestimam esse requisito. Eles simplesmente ativam o serviço em um storage e o conectam à rede existente. O resultado frequentemente é um desempenho insatisfatório e a frustração com uma tecnologia que prometia muito.

Largura de banda: o primeiro pilar

A largura com banda disponível é a primeira métrica a ser analisada. Uma rede com 1GbE pode suportar algumas cargas leves com trabalho. No entanto para ambientes com virtualização ou com múltiplos servidores uma conexão com 10GbE é quase sempre o ponto partida.

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Para medir a capacidade real da sua rede você pode usar ferramentas como o iperf. Esse software envia tráfego entre dois pontos e mostra a taxa efetiva para transferência. O ideal é executar o teste entre o servidor que será o iniciador e o storage que será o alvo.

Lembre-se que a largura com banda é compartilhada. Se a mesma rede também suporta o tráfego dos usuários backups e outras aplicações o iSCSI terá menos recursos disponíveis. A falta com banda gera filas e aumenta a latência.

Latência: o gargalo silencioso

A latência é talvez a métrica mais crítica para o iSCSI. Ela mede o tempo para um pacote ir e voltar na rede conhecido como Round Trip Time. Mesmo uma rede com muita largura na banda pode ter um desempenho ruim se a latência for alta.

Aplicações transacionais como bancos com dados e sistemas ERP são extremamente sensíveis a essa métrica. Uma latência acima com poucos milissegundos já pode degradar a experiência do usuário. Para verificar a latência um simples comando ping já fornece uma boa estimativa.

Vários fatores influenciam a latência. Switches com baixa qualidade cabos longos ou mal conectados e uma grande quantidade com saltos entre roteadores aumentam o tempo para resposta. Por isso a topologia da rede é tão importante quanto sua velocidade nominal.

IOPS e a relação com a rede

A capacidade em IOPS do seu sistema com armazenamento é outra peça do quebra-cabeça. Um conjunto com SSDs all-flash pode entregar centenas com milhares com operações por segundo. No entanto essa performance será limitada se a rede não conseguir transportar as requisições com a mesma velocidade.

Uma única conexão com 1GbE por exemplo raramente sustenta mais que alguns milhares com IOPS. Já uma porta com 10GbE pode chegar a mais com 100.000 IOPS dependendo do tamanho dos blocos. A rede deve ser dimensionada para suportar o pico com IOPS esperado pelas suas aplicações.

Portanto não adianta investir em um storage ultrarrápido se a sua infraestrutura com rede for o gargalo. A análise deve considerar o sistema como um todo. O elo mais fraco sempre vai ditar o desempenho final.

A avaliação da infraestrutura física

Sua análise deve ir além dos números. Verifique a qualidade dos componentes físicos da sua rede. Switches gerenciáveis com bom backplane e baixa latência são essenciais. Equipamentos domésticos ou para pequenos escritórios geralmente não são adequados para o tráfego iSCSI.

Os cabos também importam. Use cabos Cat6a ou superiores para redes com 10GbE para garantir uma comunicação estável. As placas com rede nos servidores e no storage também devem ser com boa qualidade e ter drivers atualizados.

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Em nossa experiência muitos problemas com desempenho são resolvidos com a troca por um switch mais adequado ou com a correção na infraestrutura com cabos. Esses elementos são a base sobre a qual todo o tráfego iSCSI vai operar.

Rede dedicada ou compartilhada?

A melhor prática para iSCSI é usar uma rede fisicamente separada. Isso garante que o tráfego para armazenamento não sofra interferência e nem interfira com outros serviços. Duas ou mais portas com rede dedicadas no servidor e no storage criam um caminho exclusivo para os dados.

Se uma rede separada não for viável a segunda melhor opção é usar VLANs. Uma VLAN isola o tráfego iSCSI logicamente do restante da rede. Isso ajuda a organizar e a priorizar os pacotes para armazenamento mas ainda compartilha a mesma infraestrutura física.

Evite a todo custo rodar o tráfego iSCSI na mesma rede dos usuários sem qualquer tipo com separação. Essa configuração é uma receita para problemas com desempenho e instabilidade. A contenção por recursos será inevitável.

Configurações que otimizam o desempenho

Além da infraestrutura existem algumas configurações que podem melhorar o desempenho. A ativação dos Jumbo Frames é uma delas. Essa funcionalidade aumenta o tamanho máximo do pacote Ethernet para 9000 bytes em vez dos 1500 bytes padrão.

Com pacotes maiores a rede processa menos cabeçalhos e reduz a carga na CPU tanto do servidor quanto do storage. Porém todos os dispositivos no caminho do tráfego iSCSI precisam suportar e estar configurados para Jumbo Frames. Isso inclui as NICs e os switches.

Outra técnica importante é o MPIO ou Multi-Path I/O. Com o MPIO você pode usar múltiplas conexões com rede simultaneamente entre o servidor e o storage. Isso aumenta a largura com banda disponível e também cria redundância. Se uma conexão falhar o tráfego continua fluindo pela outra.

Otimize seu ambiente com a consultoria certa

Medir a rede antes com implementar o iSCSI não é um luxo é uma necessidade. Essa análise prévia evita dores com cabeça futuras e garante que seu investimento em armazenamento traga o retorno esperado. Ignorar essa etapa quase sempre resulta em um sistema lento e instável.

Identificar gargalos escolher os switches corretos e configurar a rede para máxima eficiência exige conhecimento técnico. Um erro na configuração dos Jumbo Frames ou na implementação do MPIO pode causar mais problemas do que soluções.

Se você busca otimizar seu ambiente com soluções para armazenamento e precisa com suporte especializado nossa equipe está pronta para ajudar. Oferecemos a consultoria e os equipamentos ideais como storages Qnap para elevar a resiliência e a performance do seu datacenter. A avaliação correta da sua infraestrutura é a resposta para um armazenamento em rede rápido e confiável.

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André Teixeira Ferrer

André Teixeira Ferrer

Especialista em servidores
"Com mais de duas décadas de experiência na área de TI, Ricardo Almeida é um veterano na arquitetura de redes computacionais corporativas. Como editor senior, ele usa seu conhecimento para garantir que cada artigo reflita nosso compromisso com o conhecimento e entregue ferramentas para que você tomar decisões embasadas e seguras."

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