O que é storage para Kubernetes?

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A arquitetura do Kubernetes baseia-se em contêineres voláteis. Eles podem ser criados, destruídos e substituídos em segundos para escalar aplicações. Essa agilidade, porém, cria um grande desafio para qualquer aplicação que precise guardar informações.

Qualquer dado gerado dentro um contêiner simplesmente desaparece com ele. Essa característica torna inviável a execução para bancos de dados, sistemas com uploads por usuários ou qualquer serviço que precise de persistência.

Assim, o Kubernetes precisou desenvolver um modelo próprio para conectar o armazenamento externo aos seus ambientes, garantindo que os dados permaneçam seguros e acessíveis, independentemente do ciclo vital dos pods.

O que é storage para Kubernetes?

Storage para Kubernetes é um conjunto com mecanismos para prover dados persistentes a aplicações em contêineres. Essa estrutura garante que as informações sobrevivam ao ciclo vital dos pods, pois eles são voláteis por natureza e apagam todos os arquivos internos ao serem encerrados. Por isso, o sistema utiliza recursos como Volumes, Persistent Volumes (PVs) e Persistent Volume Claims (PVCs) para conectar os contêineres a um sistema de armazenamento externo, que pode ser um storage NAS, uma SAN ou um serviço em nuvem.

O funcionamento é bastante lógico. Um administrador de TI configura o hardware de armazenamento disponível no cluster, enquanto os desenvolvedores apenas solicitam a capacidade necessária para suas aplicações. Esse desacoplamento simplifica muito a gestão e a portabilidade das aplicações, pois o contêiner não precisa saber os detalhes sobre o hardware físico. Ele apenas consome o espaço alocado, com a certeza que seus dados estarão lá quando ele reiniciar.

Várias aplicações dependem desse modelo. Um banco de dados PostgreSQL, por exemplo, precisa de um local seguro para seus arquivos. Um sistema WordPress necessita de um diretório compartilhado para armazenar imagens e plugins. Em ambos os casos, a solução de armazenamento para Kubernetes entrega a persistência e a confiabilidade que o ambiente exige.

A natureza volátil dos contêineres

Os contêineres foram projetados para serem efêmeros e imutáveis. Essa filosofia simplifica a automação e a escalabilidade, pois qualquer pod com falha pode ser simplesmente descartado e substituído por uma nova instância idêntica em poucos segundos. Essa abordagem funciona muito bem para aplicações sem estado (stateless), como um servidor web que apenas processa requisições sem armazenar nada.

No entanto, o problema surge com as aplicações com estado (stateful). Muitos serviços, como bancos de dados, sistemas de gerenciamento de conteúdo (CMS) ou plataformas de e-commerce, precisam manter informações entre as sessões. Se um banco de dados fosse executado em um contêiner padrão, toda a base de dados seria perdida a cada reinicialização do pod, o que torna a operação inviável.

Portanto, a volatilidade que confere agilidade ao Kubernetes também impõe uma limitação severa. Para superar essa barreira, foi necessário criar uma camada de abstração que separasse o ciclo vital dos dados do ciclo vital dos contêineres, garantindo a continuidade do negócio.

Volumes como a primeira camada para dados

A primeira resposta do Kubernetes para a persistência de dados foi o conceito de Volume. Um Volume é essencialmente um diretório montado dentro de um ou mais contêineres de um pod, com a capacidade de sobreviver a reinicializações dos contêineres. Se um aplicativo dentro do pod falhar e for reiniciado, o Volume garante que os arquivos permaneçam intactos.

Ainda assim, a maioria dos tipos de Volume tem seu ciclo de vida atrelado ao próprio pod. Isso significa que, se o pod for deletado ou movido para outro nó do cluster, o Volume e todos os seus dados também são removidos. Essa limitação torna os Volumes básicos insuficientes para cenários que exigem alta disponibilidade e persistência a longo prazo.

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Por exemplo, o tipo de volume `emptyDir` cria um diretório temporário que dura apenas enquanto o pod existir. Ele é útil para compartilhar arquivos entre contêineres no mesmo pod, mas não serve para armazenamento permanente. Essa característica mostra a necessidade de um mecanismo mais robusto.

Entendendo os Persistent Volumes (PV)

Para resolver a limitação dos Volumes básicos, o Kubernetes introduziu o Persistent Volume (PV). Um PV é uma peça de armazenamento no cluster que foi provisionada por um administrador ou dinamicamente por uma Storage Class. Sua principal característica é existir independentemente de qualquer pod, assim como um disco rígido em um servidor físico.

Um administrador pode configurar vários PVs com diferentes características de desempenho, como discos SSD rápidos ou HDDs mais lentos e de maior capacidade. Cada PV contém os detalhes da implementação do armazenamento, seja um diretório em um servidor NFS, um disco em um provedor de nuvem como AWS EBS ou uma LUN em uma rede SAN.

Essa abstração é poderosa porque separa a responsabilidade de provisionar o armazenamento da responsabilidade de consumi-lo. O desenvolvedor da aplicação não precisa mais se preocupar com os detalhes da infraestrutura subjacente. Ele sabe que existe um pool de recursos de armazenamento disponível para uso, gerenciado de forma centralizada.

O papel do Persistent Volume Claim (PVC)

Enquanto um Persistent Volume (PV) representa o recurso de armazenamento disponível, um Persistent Volume Claim (PVC) é a solicitação por esse recurso, feita por um usuário ou uma aplicação. Pense no PVC como um pedido: "Eu preciso de 100 GB de armazenamento com capacidade de leitura e escrita".

Quando um desenvolvedor cria um PVC, o Kubernetes procura por um PV que atenda aos requisitos especificados na solicitação, como tamanho e modo de acesso (por exemplo, `ReadWriteOnce`, `ReadOnlyMany` ou `ReadWriteMany`). Se um PV compatível for encontrado, o Kubernetes "liga" (bind) o PVC a esse PV, tornando o armazenamento exclusivo para aquela solicitação.

Esse mecanismo de solicitação e alocação é fundamental para a automação e o autoatendimento. A equipe de infraestrutura pode preparar um conjunto de PVs e os times de desenvolvimento consomem esses recursos sob demanda, sem precisar de intervenção manual para cada nova aplicação. Isso acelera muito o ciclo de desenvolvimento.

Simplificando com Storage Classes (SC)

Administrar Persistent Volumes manualmente pode se tornar complexo em ambientes com centenas de aplicações. Para automatizar esse processo, o Kubernetes oferece as Storage Classes (SC). Uma Storage Class descreve as "classes" de armazenamento disponíveis, como "ssd-rapido" ou "backup-lento", sem precisar criar os PVs antecipadamente.

Quando um Persistent Volume Claim (PVC) especifica uma Storage Class, o provisionador dinâmico associado a essa classe cria um PV automaticamente para atender à solicitação. Isso elimina a necessidade de um administrador pré-alocar o armazenamento. O processo se torna totalmente dinâmico e sob demanda.

Por exemplo, uma Storage Class pode ser configurada para usar o provisionador de um storage NAS QNAP. Quando um desenvolvedor solicitar 50 GB de armazenamento dessa classe, o sistema da QNAP criará um volume iSCSI ou uma pasta NFS com o tamanho exato e o entregará ao Kubernetes como um novo PV. Essa automação reduz a carga operacional e evita o desperdício de recursos.

A importância da Container Storage Interface (CSI)

Nos primórdios do Kubernetes, os drivers para integração com sistemas de armazenamento eram compilados diretamente no código-fonte do projeto. Essa abordagem "in-tree" tornava a adição de novos provedores de armazenamento um processo lento e complexo, dependente dos ciclos de lançamento do próprio Kubernetes.

A Container Storage Interface (CSI) foi criada para resolver esse problema. A CSI é uma especificação padrão que desacopla a lógica de armazenamento do Kubernetes, permitindo que qualquer fornecedor desenvolva um driver (plugin) compatível. Com isso, a integração de um novo storage se tornou muito mais simples e flexível.

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Hoje, quase todos os principais fabricantes de storage, como QNAP, Synology, NetApp e Pure Storage, oferecem drivers CSI. Isso significa que você pode conectar seu storage corporativo existente ao seu cluster Kubernetes sem grandes dificuldades, aproveitando recursos avançados como snapshots, clonagem e replicação diretamente pela API do Kubernetes.

Tipos de armazenamento em um ambiente K8s

A escolha do tipo de armazenamento impacta diretamente o desempenho e a funcionalidade das aplicações. No Kubernetes, as soluções geralmente se enquadram em três categorias: armazenamento em bloco, em arquivo e em objeto.

O armazenamento em bloco (Block Storage) oferece um volume bruto com alta performance de IOPS e baixa latência, ideal para bancos de dados como MySQL ou MongoDB. Geralmente, ele suporta o modo de acesso `ReadWriteOnce` (RWO), ou seja, só pode ser montado por um único pod por vez.

Já o armazenamento em arquivo (File Storage), como NFS ou SMB, suporta o modo `ReadWriteMany` (RWX), permitindo que vários pods leiam e escrevam no mesmo volume simultaneamente. É a escolha perfeita para aplicações como WordPress, onde múltiplos servidores web precisam acessar o mesmo diretório de conteúdo. Por outro lado, o armazenamento em objeto (Object Storage) é acessado via API e é excelente para armazenar backups, logs e grandes volumes de dados não estruturados.

Riscos ao negligenciar o armazenamento correto

A escolha inadequada da solução de armazenamento para Kubernetes pode gerar vários problemas graves. O risco mais óbvio é a perda de dados. Utilizar um volume efêmero para uma aplicação stateful ou um backend de armazenamento sem redundância pode resultar na perda permanente de informações críticas para o negócio.

Outro ponto frequente é o baixo desempenho. Executar um banco de dados transacional sobre um storage de arquivos lento, por exemplo, criará gargalos que afetam toda a aplicação. A latência aumenta, as consultas demoram e a experiência do usuário final é comprometida. Cada carga de trabalho tem um requisito específico de IOPS e taxa de transferência que precisa ser atendido.

Além disso, a complexidade gerencial aumenta sem uma estratégia bem definida. A falta de provisionamento dinâmico com Storage Classes sobrecarrega a equipe de TI com tarefas manuais. A ausência de recursos como snapshots e backup automatizado também eleva o risco operacional e dificulta a recuperação após desastres.

Escolhendo a solução ideal para seus dados

Para selecionar a solução de armazenamento certa, é preciso analisar alguns fatores. O primeiro é a carga de trabalho da aplicação. Um banco de dados exige baixa latência e alto IOPS, o que favorece o armazenamento em bloco. Um site com conteúdo compartilhado, por outro lado, se beneficia da flexibilidade do armazenamento em arquivo.

A necessidade de proteção aos dados também é fundamental. Verifique se a solução de storage oferece recursos como snapshots consistentes com a aplicação, replicação síncrona ou assíncrona para outros sites e integração com ferramentas de backup. Esses recursos são essenciais para uma estratégia de recuperação de desastres.

Finalmente, avalie o custo total de propriedade e a facilidade de gerenciamento. Uma solução com um bom driver CSI, provisionamento dinâmico e uma interface de gerenciamento intuitiva, como as oferecidas por storages QNAP, pode reduzir significativamente a carga operacional e otimizar o uso dos recursos, entregando um retorno sobre o investimento muito mais rápido.

Otimizando a resiliência com infraestrutura especializada

Construir um ambiente Kubernetes resiliente e performático exige mais do que apenas configurar pods e serviços. A base de toda a operação está na infraestrutura de armazenamento que suporta as aplicações. Uma escolha acertada nesse pilar garante a segurança dos dados, a alta disponibilidade dos serviços e a agilidade que o negócio demanda.

Soluções de armazenamento especializadas são projetadas para entregar o desempenho e a confiabilidade que as cargas de trabalho modernas exigem. Elas integram recursos avançados de proteção de dados, automação e gerenciamento que simplificam a complexa tarefa de manter um cluster Kubernetes produtivo e seguro. Ignorar essa camada é expor a operação a riscos desnecessários.

Se você busca otimizar a resiliência e a eficiência do seu ambiente de TI, explore nosso portfólio. Oferecemos consultoria e equipamentos de alta performance para projetar uma infraestrutura de dados robusta e preparada para os desafios do futuro. Um storage de qualidade é a resposta para garantir a integridade e a disponibilidade das suas informações.

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Carla Mendes Kuerten

Carla Mendes Kuerten

Especialista em storages
"Com mais de 15 anos de experiência em sistemas de armazenamento e backup, Carla é uma entusiasta da tecnologia e aplica seu conhecimento para garantir que todos possam entender conceitos básicos sobre servidores e sistemas de armazenamento de todos os tamanhos. Sua paixão é conectar pessoas às melhores soluções do mercado, tornando a compra de storages uma experiência positiva e sem preocupações."

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