Datastore: por que as VMs da virtualização dependem dele

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As máquinas virtuais precisam armazenar seus arquivos em algum lugar físico. Essa necessidade parece simples mas esconde uma grande complexidade operacional em ambientes com múltiplos servidores.

O gerenciamento direto sobre o hardware físico criaria vários gargalos. A mobilidade entre hosts seria quase impossível e a alta disponibilidade ficaria comprometida por completo.

Assim, a estrutura que resolve esses desafios se torna a base para a virtualização moderna, pois organiza e apresenta o armazenamento para as VMs.

O que é um datastore?

Datastore é um repositório lógico para armazenamento que agrupa um ou mais dispositivos físicos. Ele funciona como uma camada abstrata entre as máquinas virtuais e o hardware, como um disco rígido, um SSD ou um arranjo RAID. Em vez de interagir com cada componente individual, o hipervisor enxerga apenas um ou mais pools unificados com capacidade. Essa abordagem simplifica muito o gerenciamento e a alocação do espaço.

Imagine uma grande biblioteca. Os livros são os dados e as prateleiras são os discos físicos. O datastore, nesse caso, é o catálogo central que informa ao bibliotecário onde cada livro está, sem que ele precise conhecer a exata posição física em cada estante. Para as VMs, essa estrutura armazena todos os seus arquivos essenciais, como os discos virtuais (VMDK), os arquivos com configuração (VMX) e os logs do sistema.

A sua principal função é centralizar o armazenamento para que vários hosts acessem os mesmos arquivos simultaneamente. Essa capacidade é a base para recursos avançados em virtualização como a migração ao vivo (vMotion) e a alta disponibilidade (High Availability). Sem um repositório compartilhado, cada VM ficaria presa a um único servidor físico, o que limitaria bastante a flexibilidade e a resiliência da infraestrutura.

A relação entre VMs e o armazenamento físico

Antes da virtualização avançada, os servidores físicos acessavam diretamente seus próprios discos internos. Cada aplicação e sistema operacional estava firmemente acoplado a um hardware específico. Se um servidor falhasse, a aplicação parava junto. A migração para outro equipamento era um processo manual, demorado e com alto risco para a integridade dos dados.

As máquinas virtuais, por natureza, são arquivos. Elas precisam ser independentes do hardware subjacente para entregar seus principais benefícios. O datastore quebra essa dependência. Ele cria uma ponte que permite a qualquer host autorizado em um cluster acessar e executar uma VM. Por isso, a máquina virtual não "sabe" ou "se importa" se seus dados estão em um SSD, um HDD SAS ou um LUN em uma rede SAN.

Essa separação é o que possibilita um ambiente dinâmico e resiliente. Se um host precisa passar por manutenção, as VMs que rodam nele podem ser movidas para outro host sem qualquer interrupção no serviço. Em caso de falha inesperada, outro servidor do cluster assume a carga de trabalho quase que instantaneamente. Essa fluidez operacional depende totalmente do acesso compartilhado a um repositório centralizado.

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Os principais tipos para ambientes virtuais

Existem alguns tipos principais de datastores e cada um atende a diferentes necessidades técnicas e orçamentárias. A escolha correta impacta diretamente a performance, o custo e a complexidade da sua infraestrutura. O formato mais comum é o VMFS (Virtual Machine File System), um sistema de arquivos em bloco otimizado para clusters e desenvolvido pela VMware. Ele permite que múltiplos hosts ESXi leiam e escrevam nos mesmos volumes simultaneamente.

Outra opção muito utilizada é o NFS (Network File System). Diferente do VMFS, ele opera em nível de arquivo e utiliza a rede Ethernet padrão para comunicação. A sua implementação é geralmente mais simples, pois aproveita a infraestrutura de rede existente e servidores NAS. Embora seu desempenho possa ser inferior ao do armazenamento em bloco em algumas cargas de trabalho, a flexibilidade e o custo menor o tornam uma escolha popular para muitos cenários.

Há também o vSAN (Virtual SAN), uma solução de armazenamento definida por software que agrega os discos locais de vários hosts ESXi para criar um pool compartilhado. Essa abordagem hiperconvergente elimina a necessidade de uma SAN externa, o que simplifica a arquitetura. No entanto, o vSAN exige um planejamento cuidadoso do hardware e licenciamento específico, por isso seu custo inicial pode ser mais alto.

Como a abstração melhora a gestão

A camada de abstração que o datastore oferece transforma a maneira como os administradores de sistemas gerenciam o armazenamento. Em vez de lidar com dezenas de LUNs, volumes ou discos individuais, eles interagem com um ou poucos pools de capacidade. Essa visão unificada simplifica tarefas como o provisionamento de novas máquinas virtuais e o monitoramento do uso do espaço.

Um exemplo prático é a tecnologia de thin provisioning. Com ela, um disco virtual pode ser criado com uma capacidade maior que o espaço físico realmente alocado no início. O espaço só é consumido conforme os dados são gravados. Isso otimiza o uso do armazenamento disponível, pois evita o desperdício com espaço reservado e não utilizado. A gestão fica mais eficiente porque o administrador pode expandir o armazenamento físico apenas quando for necessário.

Além disso, a abstração facilita a automação. Scripts e ferramentas de orquestração podem criar, mover ou clonar VMs sem precisar de comandos específicos para cada tipo de hardware. A infraestrutura se torna mais ágil e menos suscetível a erros humanos. A padronização que o datastore impõe é fundamental para escalar o ambiente de forma previsível e controlada.

O papel na alta disponibilidade e mobilidade

A alta disponibilidade (HA) é um dos pilares da virtualização moderna. Seu objetivo é garantir que as aplicações continuem funcionando mesmo se um servidor físico falhar. O datastore compartilhado é o componente que viabiliza essa proteção. Quando um host para de responder, o cluster de virtualização detecta a falha e reinicia automaticamente as VMs afetadas em outros hosts saudáveis.

Esse processo só é possível porque os arquivos das VMs estão em um armazenamento acessível por todos os servidores do cluster. Não há necessidade de copiar dados, o que torna a recuperação muito rápida, geralmente em poucos minutos. Sem um datastore compartilhado, a recuperação seria um processo manual e demorado, com um tempo de inatividade inaceitável para a maioria das empresas.

A mobilidade de VMs, exemplificada pelo vMotion, também depende dessa arquitetura. O vMotion migra uma máquina virtual em execução de um host para outro sem qualquer downtime. Isso é útil para balancear a carga de trabalho entre os servidores ou para realizar manutenções no hardware sem interromper os serviços. A memória ativa da VM é copiada pela rede, enquanto o acesso aos arquivos no datastore é simplesmente transferido para o novo host.

Desafios comuns com a performance

Apesar de todos os benefícios, um datastore mal configurado ou sobrecarregado pode se tornar um grande gargalo de performance. Um dos problemas mais frequentes é a alta latência no armazenamento, conhecida como "storage latency". Se os discos físicos ou a rede que conecta ao storage forem lentos, todas as VMs que dependem daquele datastore sofrerão com a lentidão.

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Outro desafio é a contenção de I/O (I/O contention), que ocorre quando muitas VMs competem pelos mesmos recursos de leitura e escrita simultaneamente. Imagine vários usuários tentando acessar o mesmo livro na biblioteca ao mesmo tempo. O resultado é uma fila e uma degradação no desempenho para todos. Isso é comum em ambientes com muitas VMs de banco de dados ou servidores de arquivos em um único datastore.

A configuração da rede também é um ponto crítico, especialmente para datastores baseados em NFS ou iSCSI. Uma rede mal dimensionada, sem switches adequados ou com configurações incorretas como a falta de Jumbo Frames, pode limitar a taxa de transferência e aumentar a latência. Por isso, monitorar as métricas de performance do datastore é essencial para identificar e resolver esses gargalos antes que eles impactem os usuários.

A escolha do sistema de arquivos ideal

A decisão entre VMFS e NFS para um datastore envolve uma análise cuidadosa de trade-offs. O VMFS, por ser um sistema de arquivos em bloco, geralmente oferece um desempenho superior para cargas de trabalho que exigem muitas operações de I/O por segundo (IOPS), como bancos de dados transacionais. Ele foi projetado desde o início para ambientes de virtualização e possui recursos otimizados para o bloqueio de arquivos em nível de cluster.

Por outro lado, o NFS se destaca pela simplicidade e flexibilidade. Como ele utiliza a rede TCP/IP padrão, sua configuração não exige switches de Fibre Channel ou conhecimento especializado em redes SAN. Um bom servidor NAS com portas 10GbE pode entregar uma performance excelente para a maioria das aplicações. Além disso, a gestão de um volume NFS é frequentemente mais simples, pois o tamanho do datastore pode ser ajustado dinamicamente no próprio NAS.

A escolha final depende muito do seu ambiente. Se você já possui uma infraestrutura SAN e precisa do máximo desempenho para aplicações críticas, o VMFS pode ser a melhor opção. Se a sua prioridade é a simplicidade, o custo-benefício e a facilidade de gerenciamento, um datastore NFS sobre um storage confiável é uma alternativa muito forte. Em muitos casos, uma abordagem híbrida com ambos os tipos pode atender a diferentes necessidades dentro da mesma empresa.

Riscos com uma configuração inadequada

Uma configuração inadequada do datastore pode trazer consequências graves para toda a infraestrutura de TI. Um dos maiores riscos é a perda de dados. Se o datastore for criado sobre um arranjo de discos sem a devida redundância (como um RAID 0), a falha de um único disco pode corromper ou destruir todas as VMs armazenadas nele. A falta de um plano de backup agrava ainda mais esse cenário.

A indisponibilidade do serviço é outro risco iminente. Um erro na configuração da rede de armazenamento, como um endereçamento IP incorreto ou um erro de zoning na SAN, pode fazer com que os hosts percam o acesso ao datastore. Quando isso acontece, todas as máquinas virtuais que dependem dele param de funcionar de uma só vez, o que causa uma interrupção massiva nos serviços da empresa.

Além disso, uma configuração que não segue as boas práticas pode criar problemas de segurança. Permissões de acesso muito abertas em um compartilhamento NFS, por exemplo, podem expor os arquivos das VMs a acessos não autorizados. Por isso, é fundamental seguir as recomendações do fabricante do hipervisor e do storage para garantir que a configuração seja segura, resiliente e otimizada para a performance.

Garantindo a performance com um storage robusto

A estabilidade e o desempenho de um ambiente virtualizado dependem diretamente da qualidade do hardware que suporta seus datastores. Investir em um sistema de armazenamento confiável é a única forma de evitar gargalos e garantir a continuidade dos negócios. Um storage all-flash, por exemplo, pode eliminar problemas de latência e entregar o alto IOPS que aplicações críticas exigem.

A escolha de um servidor de armazenamento com recursos como fontes e controladoras redundantes, suporte a redes de alta velocidade como 10GbE e funcionalidades de proteção de dados, como snapshots e replicação, é essencial. Equipamentos como os storages NAS da Qnap oferecem um conjunto completo de ferramentas para criar datastores NFS ou iSCSI de alta performance com um excelente custo-benefício.

Para garantir que sua infraestrutura alcance o máximo de performance e confiabilidade, conte com a nossa consultoria especializada e nosso catálogo de soluções em storage e servidores, projetados para otimizar a gestão de ambientes virtuais complexos. Nós podemos ajudar a dimensionar e configurar a solução ideal para o seu datastore, o que assegura que suas máquinas virtuais operem com a eficiência e a segurança que sua empresa precisa.

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André Teixeira Ferrer

André Teixeira Ferrer

Especialista em servidores
"Com mais de duas décadas de experiência na área de TI, Ricardo Almeida é um veterano na arquitetura de redes computacionais corporativas. Como editor senior, ele usa seu conhecimento para garantir que cada artigo reflita nosso compromisso com o conhecimento e entregue ferramentas para que você tomar decisões embasadas e seguras."

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